As câmeras de smartphones podem ficar melhores com esta descoberta de pesquisadores da Universidade Northeastern, de Boston. A partir de uma modificação do grafeno, uma folha de carbono supercondutora, os cientistas Swastik Kar e Srinivas Sridhar desenvolveram um composto com inúmeras aplicações em eletrônicos que pode até aperfeiçoar pequenos sensores de câmera.

Inicialmente, o projeto era melhorar câmeras térmicas com sensor infravermelho usadas no exército, conforme solicitado pela Agência de Projetos de Pesquisa Avançada de Defesa (DARPA, na sigla em inglês). Durante a modificação do grafeno, no entanto, foi descoberto um composto que não só cumpre a solicitação da DARPA, mas também tem propriedades que podem ser aplicadas em sensores de 20 megapixels para smartphones e até na construção de transistores atomicamente finos para computadores.2d-bnco-grafeno-2

Enquanto os pesquisadores adicionavam boro e nitrogênio ao grafeno para incorporar a condutividade necessária para produzir um isolante elétrico, eles notaram que o oxigênio estava contaminando a composição. O que não era esperado é que o gás na verdade organizava toda a estrutura: ao corroer a superfície do carbono, o oxigênio dava espaço para o boro e nitrogênio preencherem o buraco na mistura, formando cristais.

O novo material, batizado de 2D-BNCO, possui propriedades magnéticas, óticas, elétricas e térmicas, por isso suas aplicações são diversas na indústria de eletrônicos. Nas câmeras, ele poderia ser usado para criar sensores mais sensíveis à luz e com maior desempenho em ambientes escuros. Note que, por ser superfino e leve, há o prefixo indicando a (quase) bidimensionalidade no nome do composto, seguido dos elementos que o integram.

Apesar de já ser comprovado que o 2D-BNCO é perfeitamente expansível e pode ser reproduzido, ele ainda precisa ser testado e estudado. Sua capacidade magnética, por exemplo, é intrigante, uma vez que vem de quatro compostos não condutores. Também é necessário ver como ele pode ser fabricado em massa para suas propriedades poderem ser aplicadas na indústria e especificamente nos componentes das câmeras de smartphones.