Os smartwatches (ainda) não viraram febre como os fabricantes esperavam. Para muita gente, esses dispositivos são supérfluos. Mas uma startup na Coreia do Sul chamada Dot acredita que há um grupo de usuários que pode se beneficiar bastante dos relógios inteligentes: os deficientes visuais.

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A pequena companhia desenvolveu um smartwatch também batizado como Dot que, em vez de ostentar uma tela minúscula, disponibiliza um painel com 24 pinos que “exibe” até quatro caracteres por vez, mas em Braille. Você já deve ter imaginado a dinâmica da invenção: os pinos sobem e descem para formar novas palavras assim que a pessoa confere as informações.

Dá para usar o Dot para ler documentos no desktop ou emails recebidos no smartphone, por exemplo. A conexão aos dispositivos pode ser feita via interface Bluetooth ou porta USB. Esse aspecto deixa claro o objetivo principal do smartwatch: servir como extensão para equipamentos que o usuário já possui.

Pode não parecer um detalhe relevante, mas as ferramentas que temos atualmente para auxiliar deficientes visuais se concentram quase que exclusivamente em sinais sonoros e leitura com voz. Nem sempre isso é conveniente: se a pessoa perder seus fones de ouvido, talvez ficará pouco à vontade para usar as funções faladas de seu smartphone em público.

Com o Dot, até a leitura de ebooks fica mais prática. Aliás, a constatação de que não mais que 1% dos livros são traduzidos para Braille foi um ponto crucial para a equipe da startup dar forma ao projeto. A velocidade de atualização do painel de pinos é configurável, assim o usuário pode ajustá-la à medida que se acostuma com o dispositivo.

É de se imaginar que o sobe e desce dos pinos vá afetar significativamente a autonomia da bateria, mas o pessoal da Dot estima que o dispositivo aguentará 10 horas de uso constante após uma carga completa. Na média, os usuários terão que recarregar o relógio a cada cinco dias.

Há outras funcionalidades além da leitura, é claro. O Dot possui função de alarme, GPS e recurso de notificações (o relógio também é equipado com um componente de vibração), por exemplo. Sim, também dá para consultar as horas nele.

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Talvez a melhor parte do projeto é que o Dotz foi criado para ser acessível. Enquanto um equipamento de Braille pode superar a casa dos US$ 2 mil, o Dot não deverá custar mais do que US$ 300. Se tudo der certo (leia-se: se a Dot conseguir uma rodada de investimento na ordem de US$ 1 milhão neste mês), as vendas do dispositivo começam no final do ano.

Para o longo prazo, a Dot quer levar a ideia para outros dispositivos que fazem parte do dia a dia das pessoas, como fornos de micro-ondas, caixas eletrônicos e painéis informativos em aeroportos.